Apesar
dos defeitos que continha, a garantia de juros
deu certo e diversas outras ferrovias foram
sendo construídas em várias
províncias, de maneira que até
o final do Império haveria 9.356 km
de linhas em tráfego. As maiores eram
a EF D. Pedro II, então com 828 km,
pertencente e operada pela União a
Cia. Estrada de Ferro Leopoldina, inicialmente
controlada por capitais brasileiros e mais
tarde, a partir de 1897, por capitais ingleses,
com 764 km de extensão; e a Cia. Mogyana
de Estradas de Ferro, construídas pelos
cafeicultores paulistas, com 717 km. No total
havia 66 estradas de ferro, sendo 9 da União.
As
demais pertenciam sobretudo a empresas privadas
brasileiras. Com exceção da
São Paulo Railway, inglesa, anaugurada
em 1867, ainda não chegando o tempo
dos grandes investimentos estrangeiros.
As
obrigações decorrentes das garantias
entretanto acumulavam-se, e para conter a
sangria o governo imperial promulgou a Lei
2450, de 24 de setembro de 1873, criando como
alternativa uma subversão quilométrica
de 30 contos de réis por km. Foi desastroso.
A subversão propiciou a construção
de péssimos trechos de que até
hoje nos ressentimos, uma vez que as ferrovias
construídas abaixo desse limite sairiam
de graça, ou com lucro. Ficava estabelecido
um outro fortíssimo estímulo
à construção de ferrovias
de abaixo custo e quilometragem desnecessária,
fazendo voltas e ziguezagues com um mínimo
de movimentação de terra. E
embora pareça difícil admitir
que ninguém o tenha visto, a verdade
é que não tinham os brasileiros
com quem discutir. O assunto era desconhecido,
a construção das estradas de
ferro foi o primeiro grande desafio da engenharia
nacional. A experiência anterior se
limitava a fortificações militares
e demarcação de fronteiras.