A
The Leopoldina Railway Company Limited (LR) foi fundada
em Londres em 6 de desembro de 1897 para tomar o lugar
da malograda Companhia Geral de Estradas de Ferro,
empresa que por sua vez havia assumido em 1890 o controle
então Companhia de Estradas de Ferro Leopoldina,
proprietária de uma extensa rede nos estados
do Rio de Janeiro (1.246km), Minas Gerais (844km)
e Espírito Santo (37km).
A
Cia E. de F. Leopoldina, origem da ferrovia, foi constituída
no Brasil em junho de 1872 pelo empresário
e engenheiro Antonio Mello Barreto para construir
e explorar a concessão de uma linha entre Porto
Novo da Cunha, onde faria entroncamento com a E. F,
Dom Pedro II, e a cidade de Leopoldina, na então
província de Minas Gerais. A bitola escolhida
pela companhia e aprovada pelo governo era de 1,00
metro, não se levando em consideração
que seria necessário baldear todas as cargas
e passageiros em Porto Novo, já que a bitola
da Dom Pedro II era de 1,60m. Os primeiros 27km entre
presença do Imperador em 8 de outubro de 1874,
concluindo-se posteriormente os 120km até Leopoldina
em junho de 1877.
Entre
1879 e 1890 a C.E.F. Leopoldina, , ao mesmo tempo
que expandia suas linhas através de novas conceições,
deu início a um ousado plano de aquisição
de outras ferrovias, tais como a Cia. União
Mineira, a Estrada de Ferro Cantagalo, a Porto de
caixias a Macaé, a Príncipe do Grão
Pará, a Central de Macaé, a Imbetiba
a Santos, a Estrada de Ferro do Norte e varias outras.
Esta expansão teve caráter duvidoso.
Para começar muitas estradas foram compradas
por preços aviltantes, com o aval de empréstimos
ingleses, ao mesmo tempo em que os próprios
diretores da C.E.F Leopoldina organizavam uma outra
empresa ferroviária, a Companhia Geral de Estradas
de Ferro, da qual passariam a ser proprietários,
e que tinham objetivo comprar, vender e custear estradas
de ferro próprias e de terceiros. E não
deu outra: a Companhia Geral de Estradas de Ferro
adquiriu o controle da C.E.F. Leopoldina em 1890,
fazendo diversas operações financeiras
de alto risco e montado uma rede de linhas cujas condições
técnicas eram as mais precárias, mesmo
para os critérios da época. Em 1893
estas manobras foram desmascaradas como um dos mais
audaciosos golpes financeiros do Brasil, resultando
em lances rocambolescos que incluíram a fuga
de alguns diretores da companhia para o exterior e
a prisão de outros menos afortunados.
Com
o escândalo, os banqueiros ingleses, que eram
credores não só dos vultuosos empréstimos
feitos à Companhia Geral de Estradas de Ferro,
mas também da maioria dos empréstimos
feitos às empresas adquiridas pela C.E.F. Leopoldina,
passaram, como de costume, a cobrar uma solução
do Governo Federal. Para piorar a situação,
a Revolta da Armada entre 1893 e 1894 estagnou o tráfego,
e um surto de cólera na região de Porto
Novo em 1895 fez com que as populações
depredassem as estações e arrancassem
os trilhos em quilômetros de linha, por conta
do pavor de contaminação da doença
que, segundo crença, era trazida pela via férrea.
A companhia sofreu liquidação forçada
em 1897, e em 14 de março do ano seguinte,
pelo Decreto 2797, a The Leopoldina Railway Co. Ltd.
Foi autorizada a funcionar no Brasil de acordo com
as leis inglesas sobre sociedades anônimas.