Na
ocasião da criação da Rede
vinte e duas ferrovias eram de propriedade da
União Federal, das quais dezoito passaram
imediatamente a constituir a Rede. Posteriormente
foram incorporadas a Viação Férrea
do Rio Grande do Sul, a E.F. Santa Catarina,
a E.F Ilhéus e a E. F. Nazaré.
A
partir daí começou o grande trabalho
de Rede de reduzir o déficit, padronizar
procedimentos, modernizar a operação,
reduzir despesas e aumentar a produção.
Tarefa ingrata. A empresa nascia para desatar
o nó de problemas em que se tinha trasformado
o sistema ferroviário nacional. Um “descalabro”,
palavra muito usada na ocasião. Era um
descalabro, por exemplo, que em 1955 a Estrada
de Ferro Brangança gastasse só
com o pagamento da folha 760% de sua receita.
Era também um descalabro que a Rede Mineira
de Viação, a maior ferrovia em
extensão incorporada à Rede, gastasse
quase quatro vezes o que recebia para cada TKU
remunerada. Ou que todas as ferrovias federais
apresentassem déficits operacionais que
chegaram, em 1956, a representar 14% da receita
tributária da União.
“Que
precisamos dizer mais para mostrar a situação
de descalabro a que chegou entre nós
o “transporte ferroviário”,
perguntava o ministro de Viação
de Obras Públicas, Lucio Meira, na solenidade
de instalação da Rede Ferroviária,
após uma descrição aterradora
do quadro existente. “Quem em sã
consciência, poderá acreditar na
sobrevivência das nossas ferrovias se
novos métodos e novos rumos não
forem adotados imediatamente numa última
tentativa do poder público para salvá-las
da débacle.”
Ao
longo dos 39 anos de sua existência, até
o final de 1995, a Rede cumpriu sua tarefa,
reduzindo a malha e o quadro de pessoal, e aumentando
a produção.
Duas
medidas tomadas na década de 80 foram
primordiais. O Decreto nº 89.396 de 22
de fevereiro de 1984, que separou o transporte
de passageiros de subúrbio do transporte
de carga e criou a CBTU; e o Decreto lei nº
2.174, de 4 de dezembro do mesmo ano, que transferiu
para a União os débitos anteriores
da RFFSA.
Como
acontece com toda burocracia, no entanto, os
interesses internos acabaram prevalecendo sobre
a missão externa, e a Rede eternizou-se.
Ela já tinha recuado até encostar
na parede, e depois dos decretos de 1984 não
havia mais nada a fazer, a empresa estaria pronta
para se aposentar e entrar na história.
Mas ficou, sob a pressão crescente do
mercado, dos políticos e até dos
jornalistas. Surgiu então, dentro da
própria Rede, no gabinete do Diretor
de Planejamento Fernando Limeira de França,
a expressão “esgotamento do modelo”.
Numa mesa redonda publicada pela Revista Ferroviária
no aniversário de 30 anos da Rede, há
10 anos, dizia ele: “A fase de ganho de
eficiência, de corte de gorduras, está
ultrapassada. Acho que o tipo de reflexão
que nós temos que fazer no momento é
sobre a trajetória que a sociedade requer”.
A
reflexão prosseguiu, e as providências
foram finalmente tomadas. |